“Pronto, foguete, vamos!”

Lançamento da FTD Educação nos convida a ir para o espaço junto com uma menina pra lá de inventiva, a personagem Iolanda. Essa graciosa aventureira também nos deixa uma bela lição: nunca devemos desistir dos nossos sonhos
Eu já vi criança brincar de muita coisa, mas é a primeira vez que encontro uma com habilidade para imaginar e criar um foguete, além de insistir em aprimorar sua engenhoca até conseguir subir para o espaço. Será que vai conseguir tal proeza? Com certeza. Como ela vai conseguir, sim, é outra situação que me surpreendeu. Diverti até!
Para colocar em prática seu plano de voo interplanetário, a menina utiliza do que tem ao seu redor: sua companheira, a arara de pelúcia, móveis, objetos domésticos, brinquedos e desenhos. Sua “Nasa” está instalada no quintal de grama de sua casa.
“Tudo começou quando Iolanda decidiu construir um foguete.
Animada, ela arrastou a poltrona da sala para o meio do quintal. Escalou a poltrona, assumiu a pose corajosa de piloto de missão interplanetária e comandou:
_ Um, dois, três… Pronto, foguete, vamos!”
Ainda não foi dessa vez queo foguete subiu. A menina continua a aperfeiçoar seu projetosempre trocando ideias com sua arara: “Ai, ai, ai, tá faltando alguma coisa”.
E logo trata de conseguir essa coisa. O que será? Eu diria mesmo, essas coisas, por que até o foguete realmente “subir”, na imaginação de Iolanda, ela utiliza também uma mesa, um tambor, um adorno especial e até mesmo de um penico, além da fiel escudeira, a arara.

Segundo dados da FTD, com esses  elementos simples, a menina inventa um universo de fantasia e, com muita imaginação, vive grandes aventuras, observada de perto pelo gato, pelo cachorro e pelos pombos do quintal. A narrativa brinca com a ideia de acúmulo, comum em obras para essa faixa etária. Entretanto, em vez de repetir trechos do texto (como na tradicional cantiga “A velha a fiar”, por exemplo), em “Pronto, foguete, vamos!”os objetos utilizados para construir o foguete é que vão se acumulando.

Essa história escrita por Estevão Azevedo é reforçada com muita graça nas ilustrações de Ana Matsusaki, com uma técnica que mistura recortes de fotografia e desenhos, que parecem feitos por crianças pequenas, acrescentando à narrativa textual uma camada visual divertida, repleta de detalhes para serem descobertos a cada leitura. Realidade e fantasia caminham lado a lado no livro: a realidade, nas páginas de fundo branco; a fantasia, nas de fundo preto. Quando o foguete “sobe” (ou cai?), no entanto, os dois mundos, o imaginário e o real, coexistem na mesma ilustração. Nesse momento, o fundo azul do mar enche a página, anunciando uma nova brincadeira.

Esse texto, por exemplo, está na página preta acima:

“Depois desse voo teste, Iolanda desceu e buscou o penico.

Agora sim, como um assento mais adequado a um piloto especial como ela, parecia um ótimo foguete.

Iolanda escalou a poltrona, subiu na mesa, passou pela alfaia, galgou o penico e pronto: a aventura espacial poderia começar:

_ Um, dois, três… Pronto, foguete, vamos!”

E o texto abaixo na página branca:

Mas o foguete não saiu do lugar. A arara, mesmo esmagada pelo penico e pela menina, prestou atenção na explicação:

_ Deve estar sem combustível.

Aliviada, ela não esmoreceu. Já ia saltar lá de cima para aprimorar sua invenção quando, de repente, o foguete começou a chacoalhar”.

Subiu ou não subiu? Posso garantir que a imaginação da menina estava satisfeita. Tão satisfeita que ela decidiu bem rápido e ainda convidou a arara:

“Agora venha comigo juntar as peças pro submarino.

_ Um, dois, três… Pras profundezas do mar, vamos!”

“O livro ressalta valores como perseverança e criatividade e mostra como aproveitar o que cada situação da vida pode trazer de bom. Se o foguete desmorona, por que não usar suas peças para fazer um submarino?”, questiona o escritor Estevão Azevedo.

“Como esse foi o primeiro livro que ilustrei com uma história acumulativa, o processo foi bem diferente de todos os outros que já fiz. Entendi as imagens do livro como um quebra-cabeças. Se algum detalhe mínimo, como uma plantinha, mudasse de posição em uma das páginas, eu tinha que ajustar todas as páginas seguintes. Eu me diverti muito pensando e inventando cada um desses detalhes e, desde o início, me agradava a ideia de que as crianças tivessem que ir e voltar as páginas várias vezes para poder comparar como os objetos da realidade se transformavam na imaginação de Iolanda”, complementa a ilustradora Ana Matsusaki.

O autor Estevão Azevedo nasceu em Natal, em 1978. Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), escritor e editor, é autor do volume de contos O som de nada acontecendo; dos romances Nunca o nome do menino, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, e Tempo de espalhar pedras, finalista do prêmio Oceanos, eleito Livro do Ano pelo Prêmio São Paulo de Literatura e também publicado na Itália e em Portugal; e do ensaio crítico O corpo erótico das palavras: um estudo da obra de Raduan Nassar. “Pronto, foguete, vamos!”é seu primeiro livro infantil.

Ana Matsusaki, a ilustradora, é de São Paulo e, desde 2018, vive em Curitiba, em sua casa-estúdio. Formada em Design Gráfico, já trabalhou para as principais editoras do país, ilustrou mais de quinze obras e, em 2020, lançou seu primeiro livro como escritora, A colecionadora de cabeças.

“Pronto, foquete, vamos!” é recomendado a partir do 2o ano do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, tem 32 páginas e custa R$ 45,00.

Continue lendo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *