“A viagem de Nini”

Lançamento da Páginas Editora traz para as crianças um estilo de vida tradicional e ainda presente em comunidades brasileiras formadas por descendentes de escravos, que souberam se preservarem e serem fieis à cultura.

 

A história do livro “A Viagem de Nini” – escrito por Fábia Prates e ilustrado por Mariana Tavares – nasceu de uma viagem que a autora fez à comunidade quilombola Kalunga, no estado de Goiás, em janeiro de 2003. Por isso, vamos logo explicar um pouquinho mais sobre esse importante lugar, sua localização e como é ser quilombola.

Kalunga é o nome atribuído a descendentes de africanos escravizados nas minas de ouro do Brasil que fugiram, se libertaram e formaram comunidades autossuficientes. A maioria viveu muitos anos isolados em regiões remotas, próximas à Chapada dos Veadeiros, localizada na região centro-oeste do estado de Goiás, uma área de conservação e proteção integral à natureza.

Quilombola é quem vive nos quilombos, as comunidades formadas por esse escravos. O de Kalunga existe há aproximadamente 300 anos e é um local tão importante que foi reconhecido por uma programa ambiental da ONU (Organização das Nações Unidas) como o primeiro “Ticca” do Brasil, quer dizer, Território e Área Conservada por Comunidades Indígenas e Locais. O título internacional é concedido a regiões que mantêm a conservação da natureza e asseguram o bem-estar de seu povo.

O quilombo Kalunga é bem extenso com seus 262 mil hectares, o maior do Brasil, abrangendo três municípios goianos: Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás, todos localizados na região da Chapada dos Veadeiros.

Enquanto esteve em Kalunga, a autora Fábia Prates prestou bastante atenção na vida dos quilombolas, sentiu no seu coração os contrastes de quem vive nesse lugar e dos que vivem Brasil afora. Depois que voltou para sua casa e rotina, ela idealizou Nini e, através da personagem, nos conta uma história que tem sua inspiração num quilombo.

 

 

“Nini é uma menina que mora numa casa cercada por flores e montanhas, paredes de adobe e teto de palha. Não tem luz elétrica nem água encanada. A água que Nini bebe, sua irmã Naná busca cedo no rio.”

“O Rio Preto fica entre a casa e as montanhas e é onde a família de Nini, além de buscar água para beber, toma banho e lava as roupas e as louças. As casas dos vizinhos ficam distantes, isoladas entre as montanhas e são todas iguais. Paredes de adobe e teto de palha.”

 

 

“A menina é muito ligada à irmã Naná e a Mimoso, um burrinho famoso por ser muito lento e que só se apressa quando carrega a amiga Nini…”

“Anda pelo mato sem se preocupar com cobras e escorpiões. Muito corajosa, ela só tem medo de duas coisas: injeção e raios. Quando tem chuva com raios, Nini se esconde debaixo da cama da mãe.”

Nini vive uma vida bem diferente das crianças das cidades sem sequer conhecer celular ou ter provado sorvetes. As brincadeiras são todas na imensidão de um quintal sem muros, na zona rural. Mas sem nenhum aviso, a vida enviou para a menina uma ‘viagem’ para ela descobrir como vivem os demais brasileiros e, assim, ela descobrir mais sobre as suas origens e entender mais de si. Num dia de tempestade e em meio as aventuras, Nini desperta seu olhar para o mundo e para a sua ancestralidade.

 

 

“De repente, ouviram um trovão. Nini se escondeu na saia de Naná, com medo do que viria depois.

‘Não deixa, não, Naná, não deixa, não!’

Nini queria que Naná apagasse o raio.”

 

 

“O raio chegou iluminando o quintal, deixando-o de novo como se fosse dia. E, nessa hora, sem que os irmãos percebessem, Nini saiu voando, flutuando sobre as montanhas, nos braços do vento. Ela nunca tinha saído da chapada, nem para ir com o pai vender farinha na feira”.

Na viagem, raios e ventos levaram a menina para conhecer o Brasil: o mar, outros bichos, crianças negras, supermercado, shopping etc. Tudo isso transformou a menina que acabou por descobrir também suas origens mais remotas, que estavam na África, a escravidão e os quilombos.

Para Fábia Prates, (foto) é fundamental conhecer as próprias origens tanto para o desenvolvimento da autoestima, quanto para a compreensão da identidade, sendo adultos ou crianças. A autora é formada em jornalismo pela PUC Minas e começou a carreira trabalhando em jornais mineiros. Passou pelo Diário do Comércio e O Tempo, pela Agência Folha, entre outros jornais. A escrita sempre esteve presente na vida de Fábia, que escrevia minicontos e se aventurou na literatura infantil por causa dos sobrinhos pequenos. 

Mariana Tavares já ilustrou mais de 40 livros. Publicitária por formação, mineira de Belo Horizonte, Mariana divide seu tempo entre as ilustrações e murais que cria. Suas inspirações são da sua vivência, das viagens pelo mundo, das pessoas que conheceu, do que experimentou e, segundo a ilustradora, o maior conselho para deixar a criatividade fluir é apenas viver.

O livro “A viagem de Nini foi editado e revisado por Cláudia Rezende e seu projeto gráfico é de Letícia Ribeiro Ianhez. Tem 36 páginas, custa R$ 42,00 e poder ser comprado diretamente com a editora pelo email marketing.paginaseditora@gmail.com ou com a própria autora pelo telefone 31 9 9935-1606.

 

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2 Comentários ““A viagem de Nini””

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