“O pai do catavento”

Tem lançamento da Editora Aletria com história que aborda a ausência paterna e novos significados dos laços familiares
 
Na história escrita por Glória Kirinus e ilustrada por Márcia Cardeal, conhecemos a história do pequeno Catavento e suas dificuldades em lidar com os colegas da escola no seu dia a dia. “O pai do Catavento” aborda as temáticas do bullying e da paternidade. “Nem toda criança encontra seu pai na vida real. O catavento desta história encontrou o seu pai nas páginas de um livro! Uma dica: ambos têm o mesmo DNA. Não descobriu? Então, comece a ler e rodopiar emoções desde a primeira página.”

Sempre que era provocado pelos colegas, o personagem retrucava dizendo que iria “chamar o pai”, mas este nunca aparecia. Quem sempre ia atender aos chamados da diretoria era a mãe Cataventa, que, num certo dia, após retornar pra casa, é surpreendida pela pergunta do filho: “Mãe, quem é meu pai?”

 
A resposta não é dita imediatamente, o filho vai dormir, mas ela fica com aquela indagação retumbando na cabeça. Resolve abrir um livro de Monteiro Lobato e ali encontra uma outra história que muda tudo. Quando o filho novamente lhe pergunta “Afinal, quem é meu pai?”, ela já tem uma resposta na ponta da língua, ou melhor, na ponta dos dedos.
 
A Cataventa pega a obra em que Dona Benta apresenta a história de Dom Quixote e os Moinhos de Vento. O garoto ouve atentamente, mas continua insistindo pelo paradeiro do pai. Ali a sua mãe tem a oportunidade de dizer: “Seu pai está na história!”
 
“Eu acho que essa é a parte mais bonita do livro: a relação com o intertexto. O pequeno Catavento é salvo pela leitura, pela fantasia. Naquela obra de Monteiro Lobato, aparece a aventura de Dom Quixote e imensos Moinhos de Vento e ali fica sugerido que os Moinhos compartilham com o Catavento o mesmo ‘DNA’”, pontua a escritora Glória Kirinus, nascida no Peru e naturalizada brasileira.
 
Quando retorna à escola, o protagonista leva consigo o livro e se mostra confiante para lidar com a turma. Vem dele a iniciativa: “Vocês querem conhecer o meu pai?” E, em seguida, abre o livro com orgulho.
 
Glória ressalta que além de a obra valorizar o papel da leitura e da mediação, difundindo a importância da experiência proporcionada pela literatura, há também na obra um olhar para as relações familiares e os desafios enfrentados por muitas mães solo.
 
“A questão dos afetos e dos desafetos familiares também está presente no livro. Muitas mulheres se veem sozinhas, lutando para criar os filhos sem a ajuda de ninguém por diferentes motivos”, completa.
 
A ilustradora Márcia Cardeal, observa que buscou ressaltar a relação intertextual presente em “O Pai do Catavento”, a partir do uso de duas técnicas diferentes.
 
“Para a história do Catavento, eu utilizei lápis de cor com giz pastel seco colorido. Mas quando entra o Dom Quixote, eu uso bico de pena e pastel seco ou sépia com papel de fundo cinza. Isso chama a atenção para a ideia de uma narrativa dentro da outra”, comenta a ilustradora.
 

“O livro tem 36 páginas, custa R$ 36,00 e pode ser comprado no site da editora no link https://www.aletria.com.br/o-pai-do-catavento

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