Voluntários da leitura

Projeto da Fundação SM, desde 2016, estimula estudantes das escolas públicas para a literatura através de encontros, com uma hora de duração cada, para narração de livros

 

Estudos apontam que o ato de ler ajuda a estimular o cérebro, a desenvolver o senso crítico e aguçar a imaginação e a criatividade. Quem lê com frequência consegue se expressar melhor, tanto na fala quanto na escrita, além de demonstrar coerência no modo de formular o pensamento nos diálogos interpessoais e argumentar com maior facilidade devido ao amplo conhecimento das palavras. Mas o hábito da leitura passa, necessariamente, pelo acesso aos livros e pelo incentivo à atividade.Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) de 2019, o Brasil possui uma taxa de analfabetismo de 6,6%. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura, realizada pelo Instituto Pró-Livro, em 2020, o brasileiro lê em média 2 a 3 livros por ano e, mesmo com um aumento de 0,87% na venda de livros durante a pandemia, os números não são nada animadores principalmente quando comparados a outros países. Na França, por exemplo, a média anual por habitante é de 21 livros lidos.

Se leitura é hábito e, para tal, é necessário incentivo, chega-se à conclusão que as pessoas que já tinham o hábito de ler, só passaram a ler mais durante o distanciamento social. Isso, definitivamente, não é uma regra. Programas de estímulo à leitura não pararam, mesmo diante do cenário pandêmico, possibilitando a entrada de muitos nesse universo leitor.

É o caso do Programa Myra – Juntos pela Leitura, iniciativa de voluntariado da Fundação SM que, desde 2016, com a parceria técnica da Comunidade Educativa CEDAC, propõe contribuir para melhorar o desempenho leitor de estudantes, de 4º a 6º anos do ensino fundamental, de escolas públicas brasileiras, através de encontros, com uma hora de duração cada, em que um voluntário lê com uma criança, estabelecendo uma relação de um para um e construindo diversos diálogos entre o texto, outros livros e vivências. Além de sediar estes encontros, as instituições que fazem parte do Myra (escolas, ONGs, bibliotecas, etc) identificam os estudantes que vão participar e articulam os diversos agentes da comunidade escolar em torno do programa. A família completa a proposta, apoiando e incentivando a criança em sua experiência leitora.

A ideia de criar um programa de voluntariado para a promoção da leitura surgiu em 2011, na região da Catalunha, na Espanha, através do programa “Lecxit”. Adaptado à realidade brasileira, o Myra (que vem do tupi e remete a grupo, gente, pessoas) avançou de forma significativa ao longo dos anos.

“Este ano consolidamos o formato de sessões de leitura a distância, que foi implementado em todos os locais que abrigam o Programa Myra. Para nós foi uma grande alegria viabilizar que todas as crianças inscritas no programa fossem atendidas”, afirma Mariana Franco, gerente da Fundação SM. Ela reforça o quanto ter uma rede envolvida em todo o processo do programa é imprescindível para a sua execução. “A equipe Myra tem ao lado voluntários e voluntárias super comprometidos, a coordenação pedagógica dos nossos parceiros que abrigam as sessões Myra – escolas, bibliotecas, ONGs, associações – e as famílias, que incentivam a participação das crianças no programa. Sem o envolvimento de todos, seria impossível atingir nosso principal objetivo, que é contribuir com o desenvolvimento leitor das crianças”, enfatiza.

De 12 duplas de leitura em 2016, o Myra atingiu, em 2021, a marca de 177 duplas e 718 sessões de leitura realizadas, quase 24 vezes mais que no primeiro ano do projeto. Para 2022, o objetivo é que esses números sejam ainda maiores, com a construção de novas redes de voluntários e de pontos de leitura.

“Em 2021, firmamos parceria com novas instituições, entre bibliotecas, escolas e ONGs, expandindo nossas sessões de leitura para o interior de São Paulo, Goiás e Bahia. Acreditamos que o Programa Myra chegou num estágio de maturidade que nos permitirá, em 2022, ampliar o número de Pontos Myra e de crianças atendidas”, finaliza Mariana.

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