“Desventuras na Ciência”

Livro de ilustrador francês mostra o lado inesperado do trabalho científico. Engolir um fóssil ou se grudar a um crocodilo são exemplos de experiências inesperadas vividas por cientistas em seus campos de atuação
O livro “Desventuras na Ciência”, da editora Blucher, reúne anedotas de cientistas que passaram por situações inesperadas em seus trabalhos de campo, tão inusitadas quanto acidentalmente engolir um fóssil ou se grudar a um crocodilo. A obra inclui relatos de profissionais de áreas diversas, como biologia, arqueologia, vulcanologia e genética, originários de países como Colômbia, Índia e Argentina. Suas histórias são complementadas por ilustrações do autor, Jim Jourdane, que incluem informações curiosas e abrangentes sobre espécies, locais e métodos científicos envolvidos.
Originalmente publicado em 2017 na França, o livro começou com uma hashtag lançada em 2015 no Twitter, a #fieldworkfail – “falha em trabalho de campo” – em tradução livre. Cientistas de todo o mundo a usaram para compartilhar histórias de acontecimentos inesperados em suas pesquisas e, inspirado pelas falas dos pesquisadores, o francês Jim Jourdane começou a ilustrá-las. O autor entrou em contato com os cientistas, descobriu mais sobre seus trabalhos e até foi convidado para passar um mês aprendendo sobre o trabalho de campo em uma estação biológica no Peru.
Após esse trabalho, Jourdane decidiu reunir as ilustrações em um livro. Para isso, iniciou uma campanha de financiamento coletivo com o objetivo de arrecadar 8,7 mil euros e, ao final, tinha um total de 32,7 mil. Hoje, a obra tem leitores em mais de 50 países. “Percebi que as pessoas se interessavam pelas descobertas científicas. A imagem foi a forma perfeita de traduzir o trabalho científico ao público geral”, afirma o autor.
Para Jourdane, não ter experiências prévias com a ciência facilitou sua compreensão do ponto de vista do leitor. O ilustrador afirma que seu objetivo era tornar o livro acessível, despertando o interesse do público. “Quando pessoas que não se interessam pela ciência me dizem que amaram ler meu livro e que foi muito interessante, é minha vitória pessoal”.
Fugindo dos estereótipos
Para Jim Jourdane, a principal mensagem do livro é que erros são parte do processo. “Não é tão ruim cometer erros, cientistas também são seres humanos. Não são como nos filmes, em que são muito rígidos e sabem de tudo”. A capa, com uma mulher sem casaco de laboratório, foi uma forma do autor de ressaltar esta diversidade. “Queria evitar o clichê do homem velho no laboratório. Queria que fosse o mais divertido possível e fugisse do clichê do cientista louco”, explica.
“Desventuras na Ciência” foi publicado no Brasil pela Editora Blucher, em 2019. A versão em português com 78 páginas tem tradução de Bárbara Waida a partir da edição do livro em inglês. A revisão final é da equipe editorial da Blucher.
O autor Jean-Marie Jourdane, conhecido como Jim Jourdane, é um ilustrador francês e atualmente trabalha na cidade de Angoulême, conhecida por seu festival de histórias em quadrinhos (Festival International de la Bande Dessinée d’Angoulême). Tem como paixões explicar coisas por meio de desenhos e fazer ilustrações científicas. Trabalhou na editora Milan Presse, explicando para crianças temas como o tamanho do universo ou como funcionam filmes em 3D. Também atuou em estúdios de animação, como o “Normaal Animation”, como animador, cenarista e storyboarder. Dirigiu duas animações: uma sobre mitologia asiática para um documentário sobre tatuagens japonesas e outra sobre mitologia romana, que foi incluída na série de TV Art Investigation.
O livro “Desventuras na Ciência” custa R$ 49,90.

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